Sumário


Nos últimos anos a relevância da cultura para o desenvolvimento sustentável tem sido sublinhado reiteradamente e as redes, enquanto estruturas organizacionais policentradas caracterizadas pela horizontalidade do processo de comunicação interno, têm sido encaradas como um dos contextos privilegiados para fomentar a cooperação. Não obstante, a recorrente ausência de estratégias consistentes, nomeadamente no que concerne à estratégia de comunicação estratégica, tem concorrido para que as redes de cooperação cultural não sejam uma prática ancorada, de tal forma que as prioridades do Programa Europa Criativa para o período 2014-2020 voltam a sublinhar a importância de apostar no trabalho em rede para se reforçar o setor cultural e criativo europeu.

As redes, enquanto modelo de organização social, e a cooperação, enquanto forma de intervenção cultural, não são invenções contemporâneas, mas é indiscutível que a revolução tecnológica que se iniciou na década de sessenta do século XX provocou alterações significativas nos processos de comunicação contribuindo de forma decisiva para fazer surgir uma nova estrutura social dominante, que apesar de ter contradições representa uma transformação qualitativa da experiência humana, e para que o processo de globalização tenha adquirido uma dinâmica tal que se tornou inevitável a procura de novas e mais imaginativas estratégias para fazer face aos efeitos da glocalização.

A promoção de redes de cooperação cultural – formais ou informais e de escala local, regional, nacional ou transnacional –, mais que um perigo, deve ser encarado como uma oportunidade, tanto mais que podem potenciar o amplamente reconhecido papel que a cultura pode ter, nomeadamente, no desenvolvimento sustentável à escala local, regional ou transfronteiriça.

A implementação e a participação em redes depende de múltiplos factores, como a afinidade entre os integrantes ou disponibilidade para promover processos de mudança de forma a desenvolver programas de melhoria continuada, sendo que aspetos relacionados com os processos de comunicação e de liderança, associados a dificuldades técnicas e de confiança entre os membros das redes, têm sido apontados como alguns dos entraves à cooperação em rede. Estas poderão ser algumas das condicionantes que têm contribuído para que o trabalho em rede em Portugal no setor cultural esteja, à primeira vista, a ser entendido mais na perspetiva da criação de um conjunto de infraestruturas do que o estabelecimento de uma teia densa de relações; e para que a participação portuguesa em redes de cooperação cultural transnacionais possa estar em linha com a fraca internacionalização dos profissionais do setor cultural e criativo nacionais e europeus.

Por tudo isto, considerou-se pertinente e relevante desenvolver um projeto que, inspirado no politeísmo metodológico e na importância de articular preocupações académicas com uma exigência de intervenção cívica que os Estudos Culturais encerram, procura analisar e intervir sobre as redes de cooperação cultural transnacionais a partir da realidade portuguesa.

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